24
maio

Correr em excesso pode ser prejudicial

corrida em excesso

É difícil encontrar alguém que tenha começado a correr e abandonado o esporte depois de algum tempo. Pelo contrário: quem se entrega à corrida quer ir cada vez mais longe, estabelecendo novas metas e ampliando a dedicação. Mas exagerar na frequência e carga dos treinos também pode ser tão prejudicial quanto não praticar atividades físicas. O corredor, muitas vezes movido pela empolgação, acaba excedendo seus limites.

Segundo o educador físico Joaquim Ferrari, existe uma carga ótima de corrida que deve ser respeitada. Essa carga é calculada em função do lastro, ou seja, toda a frequência de treinos realizada anteriormente. “Sempre que o corredor cruza esse limite o excesso começa a se manifestar de diferentes formas. Esse estado recebe o nome de overtraining. Entre os sintomas estão a insônia, lesões osteoarticulares como distensões, tendinites, fraturas por estresse e cansaço permanente, que não desaparece com o descanso habitual”, explica.

Correr demais e não respeitar as próprias limitações também pode fazer com que o corredor se sinta mal durante os treinos e competições. Não são raros os casos de atletas que desmaiam durante provas, principalmente as de longas distância. De acordo com um estudo recente realizado por pesquisadores do Hospital Frederiksberg, em Copenhague, o recomendado é que o corredor não treine mais do que três vezes na semana e não ultrapasse o ritmo de 11 quilômetros por hora. A progressão no esporte deve ser lenta e gradual, nunca aumentando repentinamente a velocidade e quilometragem às quais o corredor está adaptado.

Incluir outras atividades na rotina, como musculação e alongamento, é uma opção válida para amenizar os efeitos da corrida e fortalecer a musculatura, protegendo ainda mais o atleta. O acompanhamento médico, dias de descanso respeitados, alimentação adequada e hidratação também são medidas básicas e obrigatórias para quem deseja manter a saúde e o bom desempenho. A corrida, assim como qualquer atividade física, é benéfica à saúde, mas deve ser incorporada à rotina de forma equilibrada. Assim o atleta pode manter o bom desempenho e ter uma vida longa no esporte.

O que é overtraining? Trata-se de um problema que ocorre quando o atleta faz mais exercícios do que seu corpo é capaz de se recuperar. Ao tentar melhorar o desempenho em treinamentos e provas, os corredores exageram no volume da atividade física sem ter o descanso adequado e escolhem uma dieta incorreta. As consequências, no entanto, vão da ordem muscular, passando por problemas nas articulações, e resultam em malefícios no sistema imunológico e no aspecto psicológico do corredor.

Causas e prevenções

Acredita-se que a gênese da síndrome de overtraining esteja diretamente relacionada com uma estratégia de treino denominada “teoria da supercompensação”, que se fundamenta no princípio da sobrecarga progressiva. Essa teoria afirma que as reservas energéticas gastas durante o processo de contração muscular são repostas apenas no período de recuperação, ou seja, de descanso.

Segundo o preparador físico Manuel Lago, o overtraining tem uma incidência maior em corredores de média e longa distância e implica em problemas das mais diversas ordens, como insônia, lesões agudas e crônicas, o sistema hormonal se desequilibra, irritabilidade, diminuição da performance e alteração da pressão arterial.

– Além dos problemas nos treinos, vai interferir em várias coisas que afetam a qualidade de vida. Para evitar o overtraining, é essencial obedecer seu treinador. Como forma de prevenir, o atleta precisa conhecer cada vez mais seu corpo, identificando sensações como preguiça, cansaço, exaustão para saber avaliar melor, o seu rendimento no treino – disse Manuel Lago, que acrescenta: o problema pode ser leve, moderado ou severo.

As causas fisiológicas e metabólicas:

– Elevação do nível do cortisol (hormônio que quebra o tecido muscular para forma energia);
– Déficit proteico;
– O catabolismo (reações de quebra de moléculas para produzir energia) supera o
anabolismo (reações de síntese de substâncias);
– Estresse no sistema nervoso central provocando distúrbios hormonais (ver coluna sobre
a tríade da mulher atleta que eu escrevi para o site);
– Tempo insuficiente para reparar os micro-traumas no músculo esquelético provocados pelo exercício.

Problemas que o overtraining traz aos atletas:

– Perda de condicionamento físico com perda de força e resistência;
– Dor muscular persistente;
– Sensação de fadiga crônica;
– Elevação significativa da frequência cardíaca em repouso (este é um sinal bem típico);
– Mudança de humor com quadro de depressão e irritabilidade;
– Queda da resistência imunológica;
– Perda da qualidade do sono.

O paulista Jorge Kalmus foi diagnosticado com overtraining há quase dois anos. Ele conta que exagerou na intensidade dos treinos para uma maratona e sofre com o problema até hoje. O resultado: não tem o desempenho de antes.

Sobre a pesquisa que diz que Corrida em excesso faz mal

Semana passada uma pesquisa veio falar algo que nenhum corredor gostaria de ouvir: corrida em excesso faz mal. O problema na verdade não é a afirmação, mas os cálculos terem estabelecidos que o volume na qual ela passa a ser prejudicial é baixo para os padrões: 4 horas semanais. Para quem corre “muito”, a corrida seria então igual ou pior que o sedentarismo.

Muitos corredores acham que a corrida faz de nós pessoas melhores, mais disciplinadas e tudo que seja bom. Como então alguém se atreve a vir dizer que ela pode ser pior do que não fazer nada? Tem um quê de puritanismo de só conseguir ver vantagens em algo que combate um pecado capital (preguiça). Como corredores somos muito bons para isso ser verdade ou então a corrida ter falhas. Num ato que a psicologia explica, buscamos sempre motivos para nossas escolhas, e o fato de ser saudável é um dos grandes pilares do esporte. Quando alguém questiona isso, não demora pra quem saia avisando que vai correr mesmo assim.

Lembre-se: todos temos argumentos para justificar nossas escolhas, você não precisa vir dizer os seus. Você precisa apenas convencer a si mesmo, já é o suficiente. Bater o pé contra o estudo é só uma das maneiras de justificar o que você fará. Aliás, quem o faz tão somente pela saúde e não por prazer, não deve fazer por mais do que 4 horas semanais.

Bom, você deve achar que eu agora só vou correr até 4 horas por semana. Não! Vou continuar correndo mais do que isso porque não corro por saúde. Minha bronca e crítica não é com a pressa de quem parece querer ganhar o debate, mas como e porquê. As limitações do estudo são enormes. Para mim, ele ser observacional e não intervencional é sua maior limitação. Segundo o Alê Lopes, ter feito assim “é a melhor forma de ver o fluxo natural das coisas acontecerem, esse tipo de delineamento é perfeito para se verificar causa e efeito sem alterar a rotina das pessoas“. E é essa minha discordância dele.

Para a corrida ser vista como um remédio e não estilo de vida, ela teria que ser como um fármaco introduzido na vida das pessoas, elas querendo ou não. Se eu fosse obrigado a jogar vôlei de praia 3 vezes por semana, esse negócio aborrecido que alguns ainda insistem chamar de esporte, ainda que tivesse as mesmíssimas características fisiológicas, não traria os mesmos benefícios que o mesmo volume correndo. Isso porque correr traz todo um pacote inerente a ela! Como disse o Luís Oliveira, a quem adoro escutar, feito dessa maneira se “desconsidera um aspecto FUNDAMENTAL, o impacto da motivação (de se fazer algo escolhido não imposto) no estilo de vida, ser ativo fisicamente tem benefícios físicos, emocionais e sociais que vão MUITO além de viver mais ou menos anos”.

ESSE é o ponto do fraco do estudo. São tantas, mas tantas as variáveis que a adoção da corrida no estilo de vida causa, que é quase impossível quantificarmos um número exato de quanto dela passa a ser prejudicial. E aí entra minha segunda bronca. Árvores não crescem até o céu. Os benefícios da corrida são inúmeros, mas nem quem tem a corrida como mercadoria pode ignorar que seja salutar tanta informação sendo gerada. Meu chute é que seja perigosa em um volume muito maior do que esse divulgado. Só acho que temos que ir um pouco mais devagar quando alguém emite esse tipo de opinião. Eu do meu lado fico com o meu chute da certeza de que existiria um excesso. Parto da lógica de que se até Danette e sorvete de flocos fazem mal em excesso, o que dizer de um troço tão aborrecido?

Fontes:

Como correr em excesso pode ser prejudicial

Sobre a pesquisa que diz que Corrida em excesso faz mal

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